sexta-feira, 13 de junho de 2014

terça-feira, 3 de junho de 2014

Poema de um Desiludido e Aspirante a Astronauta



Poema de um Desiludido e Aspirante a Astronauta

Queria algo que me tocasse a alma
Mas o que me toca a alma
Geralmente é o que também toca o chão
É o roto
O trágico
E o breve

E se for pra ter a alma tocada assim,
Talvez não compense deixa-la à vista
Dos olhos da Terra

Muito do que é mundano é turvo
E desencaminhado
E cheio de areia

Eu optei pelo caminho mais longo
O galáctico
E é preciso calma
Pois para chegar leva-se toda uma vida

Diz-se ter um buraco negro
No fim de toda pessoa
De tudo que respira e de tudo que é finito

Marte parece não girar quando me vê
Meu planeta fica rodando o tempo todo
E tem hora que enjoa
Soa como se quisesse ser apreciado pelo Todo

Meu sonho é mergulhar num buraco negro
E me transformar no que quer que aconteça lá
Virar matéria inexistente e bonita
Com tempo de sobra
Na gigante existência do nada.



-Rafael C. Nemer


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